O lugar das árvores tristes

Lénia Rufino

 

Monsenhor Alípio jogou as mãos à cabeça e não quis acreditar. Pareceu-lhe impossível que naquela terra de que ele era senhor uma desgraça destas acontecesse. Seria certamente castigo por pecados muito maiores. Nada que o surpreendesse, porém: Lurdes era a encarnação diabólica do desejo, a razão maior de também ele ter de se confessar. […] A seguir veio uma raiva maior: aquele corpo angelical, isento de mácula, terreno fértil para mil e um pensamentos que o levariam direito que nem um fuso ao tribunal de Deus, tinha sido conspurcado e já não era puro.

 

O LUGAR DAS ÁRVORES TRISTES
 
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